Mas afinal, para que serve a Astrologia e o Taro?

Publicado em 03/09/2016

Olá pessoal! O YouTube por alguma razão bloqueou todos os meus vídeos alegando que eram conteúdos que iam contra as diretrizes da plataforma, o que não faz sentido, já que eram vídeos que eu mesmo gravei demonstrando o meu trabalho e como funcionava os meus produtos. Estou atuando para corrigir o problema, mas enquanto isso, alguns vídeos estão indisponíveis. Peço que aguardem até que tudo esteja normalizado.

Aqui nesse link, você pode ver todo o meu relato sobre o caso.


Como explicar Astrologia e Taro para quem não entende nada de Astrologia e Taro

os últimos dias tenho tido questionamentos interessantes de colegas e amigos sobre “como funciona astrologia?”, ou então “para que serve o Tarô?”, e esses assuntos geralmente não são coisas fáceis de explicar ou definir, principalmente por causa do conceito da maioria das pessoas (e até mesmo preconceito) imaginando que não passam de ferramentas fajutas de adivinhação do futuro, ou uma coisa tola para ignorantes que acreditam que as estrelas tem algo a nos dizer, pior ainda, aqueles que tem uma criação cristã que insistem em achar que essas coisas “coisas do diabo” que nos afastam de Deus. E até mesmo aqueles que simpatizam com o tema, as vezes estão envolvidos com horóscopos, ou personalidades da internet como João Bidu, que mais atrapalham a correta compreensão do tema do que ajudam.

Então, antes de prosseguirmos mais profundamente no tema primeiro vou desfazer alguns “achismos” presentes no imaginativo das pessoas, e desfazer conceitos difundidos por ai:

1 — Astrologia e Tarô não são para adivinhar o futuro, então ninguém vai saber “o dia do casamento”, se “vai ficar rico”, ou “quando que irei morrer” usando essas ferramentas.

2 — As estrelas ou astros não vão dizer absolutamente nada sobre suas atitudes, você é dono das suas escolhas e ações.

3 — Definitivamente os signos e o tarô não foram criados pelo “Diabo” ou por “demônios” malvados querendo causa confusão.

4 — Para se jogar Taro, você não tem que virar Cigano, e quem joga Tarô também não deve ser tornar um Cigano primeiro.

5 — Horóscopos de Jornais são falsos e não são parte da Astrologia séria.

6 — Por mais que a Astrologia use Planetas e Estrelas como elementos, se você quer aprender sobre Planetas e Estrelas deve olhar para a Astronomia e não para a Astrologia.

7 — Você não irá ganhar nenhuma maldição por usar Astrologia e o Taro, nem terá um lugar reservado no Inferno, e muito menos Deus irá se afastar de você (acreditem, já me falaram isso).

8 — Nenhum mapa astral ou jogo de Tarô irá determinar se você será feliz ou não com aquela pessoa que você quer.

Com essa introdução, podemos ir ao assunto que propus nesse título.

Mas afinal, para que serve então a Astrologia e Taro?

Se você leu os 8 itens que mostrei acima, agora você deve estar se perguntando “ué mas para que serve então, se não é para me contar o futuro?”. Essa mistica que de signos e as cartas servem unicamente como meio de adivinhação faz parte do inconsciente coletivo da maioria das pessoas. E não é atoa, quantos já não viram por ai placas, lugares e boatos de pessoas como ciganos, cartomantes ou médiuns que com o uso de cartas, signos, bolas de cristais, borra de café, linhas das mãos, búzios ou qualquer outro objeto “acertaram” ou disseram “exatamente como eu sou” sem conhecer a pessoa ou a história.

Existem pessoas que usam qualquer coisa dentro de um credo como ferramenta de predição, mas, não necessariamente essa ferramenta foi construída para aquilo.

Como exemplo, cito a Numerologia, que consiste em usar uma combinação de números para se saber características ou predições de futuro usando combinações de números (não que a numerologia seja para isso, mas creio que muitos de nós já vimos em programas da tarde da televisão brasileira, “profissionais” usando numerologia para prever o futuro). Com essa imagem na mente, seria um erro acharmos que os números não uma fraude por que são usados na numerologia, iremos abandonar a Soma, a Subtração, a Multiplicação ou a Divisão, por que afinal, a numerologia é usada para prever o futuro, logo os números são malvados.

Se você concorda que a analogia acima é um absurdo, ou seja, condenar os números por que a alguém usa a numerologia de forma errada, deveria fazer o mesmo com a Astrologia e o Taro, e dar mais uma chance para compreender o que essas duas ferramentas tem de objetivo pratico, afinal se a sua soma de 4+4 deu 6, não é a soma que é do Diabo, você que está usando a soma de maneira errada.

A popularização desses temas é grande na nossa sociedade, por que o homem moderno é preguiçoso, ele não quer ter o trabalho de assumir a culpa por seus atos, ele quer que algo ou alguém assuma a culpa no lugar dele, é como se tirasse um peso das costas, “ufa, a culpa não é minha de ser ter sido ignorante, culpa do meu ascendente em Aries”, “eu fui demitido por que a Lua em Touro, e Saturno retrogrado tornaram minha situação na empresa complicada”, “o mês está complicado por que estou no meu inferno astral”, essas são frases comuns de pessoas que usam o esoterismos para culpar os mais diversos acontecimentos em suas vidas. Mas será que só o esoterismo que é usado como formula de escapa de se assumir as consequências dos próprios atos?

Pergunte para um motorista a culpa pelo transito de São Paulo: “Ora, a culpa são os motoqueiros, dos ônibus e essas faixas exclusivas e dos Ciclistas, bando de Folgados!!”, e se perguntarmos para um motoqueiro? “Ora, os motoristas são uns folgados! Eles perseguem os motoqueiros!”, e os ciclistas então? “Ora, os motoristas são os culpados, egoístas capitalistas que querem nos matar!!”, aposto que ninguém irá responder “o transito é ruim por que eu dirijo mal e agressivamente”, afinal é tão mais simples por a culpa no outro, em vez de assumir que o erro está em nós.

Nessa mesma lógica, por que seu casamento deu errado? “Ah ele era de Capricórnio, muito frio”, por que você está triste? “A Lua em Câncer me deixou sensível”, por que você gritou com todo mundo? “Marte! Marte retrogrado está em conjunção com o meu ascendente me deixou belicoso, impaciente”, tenho certeza que você já ouviu (ou falou) frases como essa.

Segundo Aristóteles, o central da responsabilidade, todo problema que começa com “Eu” é “Meu”, não é do sistema, não é do governo, não é da Lua, não é da Carta do dia, não é do “Encosto” e nem da maldição, ou seja, assumir a responsabilidade. Um caso pessoal, eu tenho um certo problema com horários, costumo chegar atrasado a encontros ou reuniões. Por que isso acontece? Será meu ascendente em Touro, elemento terra fixo, regido por Vênus que me atrapalha a cumprir horários? NÃO, e sim minha falta de planejamento e de como gerir e organizar o tempo, isso é responsabilidade, assumir a culpa por nossos próprios erros, vícios e indisciplina.

Nós somos construtores da nossa histórias, “Eu sou Eu, e minhas circunstancias” (Ortega e Gasset), “Não importa o que a vida fez com você, e sim o que você fez com o que a vida fez com você” (Jean-Paul Sartre). Então não terá “destino”, “signos”, “cartas”, “profecias” que poderão superar o seu poder agir, escolher, remover, incluir coisas e atitudes na sua vida.

Uma coisa que sempre me chamou a atenção, são os religiosos que combatem com vigor e determinação qualquer assunto esotérico, em foco aqui nesse texto, signos e taro. Segundo eles Deus não está nessas coisas, e logo essas coisas são do diabo. Porém não vejo diferença entre os charlatões que usam astrologia e taro para prever o futuro, das “profecias” comuns e “pop” no meio protestante:

Exemplos de Charlatões: do esoterismo ao cristianismo:

Se observaram os dois vídeos, perceberam as semelhanças sobre saber de coisas que estão por vir, porém o ponto é, esse tipo de coisa se populariza por que as pessoas querem saber o que vai acontecer amanhã, ou então, culpar as situações cotidianas a fatores e variáveis externas.

O curioso é que cristãos gostam de combater doutrinas esotéricas, ou melhor, diferente das deles, mas costumam agir de forma exatamente igual:

Mover espiritual em uma igreja protestante:

Pomba Gira Dama da Noite, Festival FECUCAMB:

Todos os que são incapazes de compreender um deus vêem-no como um demônio e, assim, se protegem de sua aproximação

E isso não é algo “novo”, os gregos já tinham mitologias sobre esse anseio humano:

Proteus era um deus marinho, um dos 3.000 filhos dos titãs Tétis e Oceano. Nascido em Palene, uma pequena cidade da Macedônia, ele teve dois filhos gigantes e cruéis: Tmolos e Telégono. Não conseguindo transmitir o sentimento de humanidade para seus filhos, Proteus pediu ajuda a Netuno.

O deus do mar aconselhou Proteus a abandonar sua cidade e ir com ele cuidar do grande rebanho de peixes e focas nas costas do Egito. Depois de algum tempo Netuno quis recompensá-lo por seu trabalho e concedeu-lhe o conhecimento do presente, do passado e do futuro.

Proteus passou a ser reverenciado por seus dons proféticos e reveladores do destino. Muitas pessoas passaram a procurá-lo desejando conhecer as artimanhas do destino, porém Proteus se mostrava arredio para revelar sobre os acontecimentos vindouros. Ele considerava que cada um poderia fazer seu próprio destino através de suas ações. Para se esquivar das pessoas, Proteus se metamorfoseava assumindo aparências monstruosas fazendo as pessoas fugirem assustadas.

Entretanto Proteus tinha duas filhas que conheciam seus segredos; uma delas era a ninfa Eidotéia. Quando Menelau, o rei de Esparta, tentava regressar para sua casa após a Guerra de Troia, ventos contrários levaram seu navio até as costas do Egito. Compadecida do rei, Eidoteia revelou a Menelau que bastaria surpreendê-lo durante o sono e amarrá-lo para que não escapasse e fazer-lhe as perguntas.

Seguindo as instruções de Eidoteia, Menelau e seus três companheiros de esconderam na gruta onde Proteus costumava descansar com seu rebanho após a refeição do meio-dia. Proteus chegou na gruta e tomou uma posição cômoda para dormir. Assim que ele fechou os olhos, Menelau e os seus companheiros se atiraram sobre ele e o apertaram fortemente entre os braços. Proteus se metamorfoseava em leão, árvore, dragão, javali e outros monstros, mas era inútil pois eles o apertavam com mais força.

Quando enfim esgotou todas as suas astúcias, Proteus voltou à forma ordinária e deu a Menelau os esclarecimentos que ele pedia. Apesar de ser capaz de prever as grandes tempestades e as dificuldades que Menelau iria encontrar durante sua viagem pelo mar, Proteus só poderia aconselhar. O resto dependeria apenas de Menelau…

Todos esses conceitos mal formados, também fazem que pessoas ligadas a ciência sejam totalmente céticos em relação ao papel que a Astrologia e o Taro podem ter. Temos raros exemplos como C.G. Jung, um dos pais da Psicologia que usou e escreveu um extenso material sobre Tarô, principalmente sobre Arquétipos (vamos falar sobre isso mais a frente). Geralmente os nomes da ciência que tentam elucidar essa questão não falam mentiras, porque usam aspectos científicos para a argumentação, mas o que me chama a atenção é que o ponto de partida passa por suposições que a Astrologia e o Taro nunca pretenderam:

Bom, vamos então definir o proposito de cada coisa para que não as confundamos mais. Não vou entrar aqui na história da Astrologia e do Tarô, por que não é o foco do texto, mas em breve escreverei sobre isso.

O principal objetivo da Astrologia e do Taro é nos fornecer símbolos para reflexão e mudança de estados de consciência, eles não te darão as respostas, eles farão você encontrar em você mesmo o que tanto procura. Parece trivial, mas um simbolo tem um poder trazer lembranças, ideias e caminhos nas nossas mentes:

Quando alguma coisa escapa da nossa consciência, essa coisa não deixou de existir, do mesmo modo um automóvel que desaparece na esquina não se desfez no ar. Apenas o perdemos de vista. Assim como podemos mais tarde, ver novamente o carro, também reencontramos pensamentos temporariamente perdidos.

Parte do inconsciente consiste, portanto, de uma profusão de pensamentos, imagens e impressões provisoriamente ocultos e que, apensar de terem sidos perdidos, continuam a influenciar nossas mentes conscientes.

Um homem desatento ou “distraído” pode atravessar uma sala para buscar alguma coisa. Ele para, percebendo perplexo; esqueceu o que buscava. Suas mãos tateiam pelos objetos de uma mesa como se fosse um sonâmbulo; não se lembra do seu objetivo inicial, mas ainda se deixa, inconscientemente, guiar por ele. Percebe então o que queria. Foi o seu inconsciente que o ajudou a se lembrar.

Logo, esses símbolos, seja signos, uma carta do Tarô, nos ajudam a trazer coisas a nossa consciência, coisas que nos fazem pensar, refletir, ponderar sobre as melhores saídas e conclusões para as circunstancias que se colocam diante de nós, mas quem deve tomar as decisões somos nós.

Vemos a presença marcante em cartas e em astros, dos Arquétipos:

Assim como o nosso corpo é um verdadeiro museu de órgãos, cada um com sua longa evolução histórica, devemos esperar encontrar também na mente uma organização análoga. Nossa mente não poderia jamais ser um produto sem história, ao contrário do corpo em que existe. Por “história” não estou querendo me referir àquela que a mente constrói através de referências conscientes ao passado por meio da linguagem e de outras tradições culturais; refiro-me ao desenvolvimento biológico, pré-histórico e inconsciente da mente no homem primitivo, cuja psique esteve muito próxima à dos animais.

Essa psique, infinitamente antiga, é a base da nossa mente, assim como a estrutura do nosso corpo se fundamenta no molde anatômico dos mamíferos em geral. O olho treinado do anatomista ou do biólogo encontra nos nossos corpos muitos traços deste molde original. O pesquisador experiente da mente humana também pode verificar as analogias existentes entre as imagens oníricas do homem moderno e as expressões da mente primitiva, as suas “imagens coletivas” e os seus motivos mitológicos. […]

O arquétipo é uma tendência a formas essas mesmas representações de um motivo ou momento — representações que podem ter inúmeras variações de detalhes — sem perder a sua configuração original. Existem, por exemplo, muitas representações do motivo “irmãos inimigos”, mas o motivo em si conserva-se o mesmo.

C.G. Jung. O Homem e seus Símbolos

Uma viagem pelas cartas do Tarô, primeiro que tudo, é uma viagem às nossas próprias profundezas. O que quer que encontremos ao longo do caminho é, ou fará, um aspecto do nosso mais profundo e elevado eu. Pois as cartas do Tarô, que nasceram num tempo em que o misterioso e o irracional tinham mais realidade do que hoje, trazem-nos uma ponte efetiva para a sabedoria ancestral do nosso eu mais íntimo. E uma nova sabedoria é a grande necessidade do nosso tempo — a sabedoria para resolver nosso problemas pessoais e sabedoria para encontrar respostas criativas às perguntas universais que a todos nos confrontam.

Sallie Nichols

Se você chegou até aqui, espero que tenha compreendido melhor o que é, ou pelo menos o que não é a Astrologia e o Taro. E assim livrar alguns de cair em armadilhas de charlatões, e usar essas ferramentas milenares de uma maneira correta e assertiva, independente do seu credo ou dogma.

Se você quer aprender/conhecer mais sobre Tarô e Astrologia, recomendo os seguintes links:

O Flautista de Hamelin e arquétipos do Tarô:https://trilhas.diogenesjunior.com.br/o-flautista-de-hamelin-e-arqu%C3%A9tipos-do-tar%C3%B4-4f510f36c397#.z1x8lc6av

Superstição, Fraude e Ciência:https://trilhas.diogenesjunior.com.br/supersti%C3%A7%C3%A3o-fraude-e-ci%C3%AAncia-fff3179d5611#.pmd9ugcjb

Tarô e os 12 signos do Zodíaco:https://trilhas.diogenesjunior.com.br/tar%C3%B4-e-os-12-signos-do-zod%C3%ADaco-de9ec7670f84#.gxyz3jc3n

Usando o Tarô para fazer Mapa Astral:https://trilhas.diogenesjunior.com.br/usando-o-tar%C3%B4-para-fazer-mapa-astral-17265b9012cf#.6tw28kkgt

Tarô Clássico de Rider Waite, todos os 78 Caminhos: Maiores, Menores e Reais: https://trilhas.diogenesjunior.com.br/tar%C3%B4-cl%C3%A1ssico-de-rider-waite-f57694f8ee5c#.8kxq89vtt

Caminhos do Tarô Parte 1: O Caminho de Copas, estudos sobre a esfera Emocional / Sentimental do Tarô:https://trilhas.diogenesjunior.com.br/caminhos-do-tar%C3%B4-parte-1-o-caminho-de-copas-5b7417b281eb#.fijrs4qjm

Referências:

Esse texto foi inspirado no vídeo: A Omissão do Eu, do Leandro Karnal:

Outras referências:

O HOMEM E SEUS SIMBOLOS, C.G. JUNG, Editora Harper Collins;

JUNG E O TARO, Sallie Nichols, Editora Cultrix


Astrologia Charlatão Espiritualismo Protestante Taro Umbanda

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